A religi&atilde;o do Isl&atilde;  inclui um conjunto b&aacute;sico de regras designadas a proteger os direitos e  liberdades de indiv&iacute;duos e comunidades.&nbsp; &Eacute; uma doutrina preocupada com  respeito, toler&acirc;ncia, justi&ccedil;a e igualdade.&nbsp; Os  conceitos isl&acirc;micos de liberdade e direitos humanos est&atilde;o imbu&iacute;dos e  garantidos na Sharia (Lei isl&acirc;mica).&nbsp; O Isl&atilde; estabelece uma estrutura  legal e incorpora um c&oacute;digo de &eacute;tica, designado para proteger os  direitos de um indiv&iacute;duo, inclusive seu direito a viver em uma sociedade  segura.

O  profeta Muhammad disse: "Quem acorda (de manh&atilde;) sentindo que est&aacute;  seguro em sua comunidade, livre de males e doen&ccedil;as em seu corpo e tem  provis&atilde;o suficiente por um dia, &eacute; como se possu&iacute;sse o mundo inteiro."[1]

A  Sharia se preocupa com a preserva&ccedil;&atilde;o de cinco direitos b&aacute;sicos: o  direito de praticar a religi&atilde;o, a prote&ccedil;&atilde;o da vida, salvaguardar a mente  ou intelecto, preserva&ccedil;&atilde;o da honra e da fam&iacute;lia e a santidade dos bens e  propriedades.&nbsp; &Eacute; uma base moral e &eacute;tica na qual os direitos individuais  s&atilde;o mantidos, mas n&atilde;o se permite que se sobreponham aos direitos da  comunidade.

A Lei isl&acirc;mica cont&eacute;m princ&iacute;pios abrangentes e regras gerais que levam em considera&ccedil;&atilde;o as circunst&acirc;ncias vari&aacute;veis da sociedade, e tamb&eacute;m a const&acirc;ncia e  perman&ecirc;ncia da natureza humana.&nbsp; A Sharia combina estabilidade,  flexibilidade e firmeza e estabeleceu puni&ccedil;&otilde;es imut&aacute;veis para certos  crimes, que n&atilde;o s&atilde;o afetados pelas condi&ccedil;&otilde;es e circunst&acirc;ncias vari&aacute;veis.&nbsp; Uma dessas puni&ccedil;&otilde;es &eacute; a pena de morte.

Existem  apenas duas categorias de crimes para os quais a pena de morte pode ser  aplicada, sob a Sharia.&nbsp; Uma &eacute; assassinato e a outra &eacute; para crimes  contra a humanidade (&agrave;s vezes conhecidos como espalhar a corrup&ccedil;&atilde;o).&nbsp;  Um dos princ&iacute;pios fundamentais do Isl&atilde; &eacute; de que uma comunidade coesa e  segura &eacute; absolutamente primordial.&nbsp; Os crimes que amea&ccedil;am a comunidade  incluem trai&ccedil;&atilde;o, apostasia (quando algu&eacute;m deixa o Isl&atilde; e ativamente se  volta contra a religi&atilde;o), pirataria, estupro, adult&eacute;rio, praticar magia e  atividade homossexual.

"Por  isso prescrevemos ... que quem matar uma pessoa, sem que esta tenha  cometido homic&iacute;dio ou semeado a corrup&ccedil;&atilde;o na terra, ser&aacute; considerado  como se tivesse assassinado toda a humanidade." (Alcor&atilde;o 5:32)

Um  dos pecados mais graves &eacute; intencionalmente tirar uma vida.&nbsp; Quando o  profeta Muhammad, que a miseric&oacute;rdia e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de Deus estejam sobre  ele, foi perguntando quais eram os principais pecados, ele disse: "Associar outros a Deus, desobedecer aos pais, assassinato e falso testemunho."[2]&nbsp; Deus diz:
"Quem  matar, intencionalmente, um crente, seu castigo ser&aacute; o inferno, onde  permanecer&aacute; eternamente. Deus o abominar&aacute;, amaldi&ccedil;o&aacute;-lo-&aacute; e lhe  preparar&aacute; um severo castigo." (Alcor&atilde;o 4:93)

&Eacute;  importante compreender que n&atilde;o h&aacute; lugar para vigilantismo no Isl&atilde;.&nbsp; Uma  pessoa acusada de um crime deve ser adequadamente condenada em um  tribunal isl&acirc;mico antes que qualquer puni&ccedil;&atilde;o possa ser aplicada.&nbsp; No  caso da pena de morte, a severidade da puni&ccedil;&atilde;o requer que os padr&otilde;es de evid&ecirc;ncia muito rigorosos sejam atendidos, antes que haja uma condena&ccedil;&atilde;o.

Existem tr&ecirc;s categorias de puni&ccedil;&atilde;o na Sharia.&nbsp; As puni&ccedil;&otilde;es Hadd, para crimes contra a comunidade, s&atilde;o as prescritas de forma divina no Alcor&atilde;o ou nas tradi&ccedil;&otilde;es aut&ecirc;nticas do profeta Muhammad.&nbsp; N&atilde;o podem ser mudadas.&nbsp;  Essas puni&ccedil;&otilde;es s&oacute; podem ser empreendidas por um governante mu&ccedil;ulmano ou  seu representante.&nbsp; N&atilde;o &eacute; permiss&iacute;vel que indiv&iacute;duos mu&ccedil;ulmanos  executem as puni&ccedil;&otilde;es hadd (que &agrave;s vezes incluem a pena de morte), por  causa do caos e tribula&ccedil;&atilde;o que isso causaria na comunidade. &nbsp;

A segunda forma de puni&ccedil;&atilde;o, especificamente para assassinato ou ataques graves, &eacute; chamada Qisas. Toda vez que uma pessoa causa ferimentos ou morte a outro, o ferido ou a  fam&iacute;lia do morto tem o direito de retaliar.&nbsp; Um aspecto &uacute;nico de Qisas &eacute;  que a fam&iacute;lia da v&iacute;tima tem a op&ccedil;&atilde;o de insistir na puni&ccedil;&atilde;o, aceitar  compensa&ccedil;&atilde;o monet&aacute;ria ou perdoar o criminoso, que pode at&eacute; evitar a pena  de morte.[3]&nbsp; O Alcor&atilde;o encoraja as fam&iacute;lias e v&iacute;timas a perdoarem e a mostrarem miseric&oacute;rdia, mesmo nas circunst&acirc;ncias mais dif&iacute;ceis.

"Tendes, no tali&atilde;o, a seguran&ccedil;a da vida, &oacute; sensatos, para que vos refreeis." (Alcor&atilde;o 2:179)
Todos os outros crimes recaem na terceira categoria, Tazir, que &eacute; uma puni&ccedil;&atilde;o discricion&aacute;ria decidida pelo tribunal.

Deus  enviou Seu livro de orienta&ccedil;&atilde;o, o Alcor&atilde;o, deu &agrave; humanidade o Isl&atilde;, a  mensagem final e completa de todas as religi&otilde;es, enviou o profeta  Muhammad, um homem capaz de liderar a humanidade em uma nova era de  toler&acirc;ncia, respeito e justi&ccedil;a.&nbsp; As palavras  do Alcor&atilde;o e das tradi&ccedil;&otilde;es aut&ecirc;nticas do profeta Muhammad cont&ecirc;m os  direitos e responsabilidades concedidos por Deus para a humanidade.&nbsp; N&atilde;o  est&atilde;o sujeitos aos caprichos e desejos de homens ou mulheres ou de  alian&ccedil;as mut&aacute;veis de governos e corpora&ccedil;&otilde;es.

A lei isl&acirc;mica, a Sharia, as leis de Deus est&atilde;o imbu&iacute;das com justi&ccedil;a, miseric&oacute;rdia e perd&atilde;o e n&atilde;o envolve tirar uma vida humana desnecessariamente. 
"N&oacute;s  enviamos Nossos Mensageiros com claros sinais e fizemos descer com eles  o Livro e a Balan&ccedil;a de modo a estabelecer justi&ccedil;a entre os homens..."  (Alcor&atilde;o 57:25) 
"&Oacute; fi&eacute;is, sede firmes em observardes a justi&ccedil;a, atuando de testemunhas, por amor a Deus..." (Alcor&atilde;o 4:135)

Mesmo  em ocasi&otilde;es raras quando existe a senten&ccedil;a de pena de morte, ela &eacute;  executada sob condi&ccedil;&otilde;es humanas e carrega a promessa de perd&atilde;o e para&iacute;so  eterno.&nbsp; O profeta Muhammad disse: "Jure alian&ccedil;a a mim de que n&atilde;o adorar&aacute; nada al&eacute;m de Deus, n&atilde;o roubar&aacute; e n&atilde;o cometer&aacute; rela&ccedil;&otilde;es sexuais il&iacute;citas."&nbsp; E  ent&atilde;o (o profeta) recitou do Alcor&atilde;o e acrescentou "E aqueles que  cumprirem essa promessa, a recompensa &eacute; com Deus. Quem cometer alguns  desses pecados e receber a puni&ccedil;&atilde;o legal, ser&aacute; considerada uma expia&ccedil;&atilde;o  para aquele pecado. Quem cometer alguns desses pecados e Deus o  encobrir, Deus decidir&aacute; perdo&aacute;-lo ou puni-lo."

Postscript.&nbsp;  Deve-se notar que indiv&iacute;duos, grupos e pa&iacute;ses t&ecirc;m perpetrado grandes  crimes em nome do Isl&atilde; e em nome da Sharia.&nbsp; Homens, mulheres e crian&ccedil;as  t&ecirc;m sido condenados &agrave; morte sem o benef&iacute;cio dos padr&otilde;es r&iacute;gidos de  evid&ecirc;ncia exigidos pela Sharia e sem o senso de justi&ccedil;a e perd&atilde;o que s&atilde;o  caracter&iacute;sticas dos ensinamentos do Alcor&atilde;o e das tradi&ccedil;&otilde;es aut&ecirc;nticas  do profeta Muhammad.
 

 Notas de rodap&eacute;: 

[1] At-Tirmidhi


[2] Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim.


[3] Punishment in Islam: An Eye For An Eye?" Al-Haramain Online Newsletter, Volume 4, 8&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, Julho de 2000.

