Deus requer que os mu&ccedil;ulmanos sejam justos em  todos os seus assuntos e que ajam de forma imparcial em rela&ccedil;&atilde;o a  todos.&nbsp; Deus diz: 

&ldquo;E elevou o firmamento e  estabeleceu a balan&ccedil;a da justi&ccedil;a, para que n&atilde;o defraudeis no peso.  Pesai, pois, escrupulosamente, e n&atilde;o diminuais a balan&ccedil;a!&rdquo; (Alcor&atilde;o  55:7-10)

Os mu&ccedil;ulmanos s&atilde;o ordenados  divinamente para agirem com justi&ccedil;a, mesmo que signifique agir contra si  pr&oacute;prios ou aqueles que lhes s&atilde;o pr&oacute;ximos, como afirma o Alcor&atilde;o:

&ldquo;&Oacute;  crentes, sede firmes em observardes a justi&ccedil;a, atuando de testemunhas,  por amor a Deus, ainda que o testemunho seja contra v&oacute;s mesmos, contra  os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja contra v&oacute;s mesmos,  contra os vossos pais ou contra os vossos parentes, seja o acusado rico  ou pobre, porque a Deus incumbe proteg&ecirc;-los. Portanto, n&atilde;o sigais os  vossos caprichos, para n&atilde;o serdes injustos; e se falseardes o vosso  testemunho ou vos recusardes a prest&aacute;-lo, sabei que Deus est&aacute; bem  inteirado de tudo quanto fazeis.&rdquo; (Alcor&atilde;o 4:135)

Deus exige que sempre apliquemos justi&ccedil;a:
&ldquo;Deus  vos ordena que restituais os dep&oacute;sitos a seus donos e quando julgardes  entre os homens, julgueis com justi&ccedil;a. Qu&atilde;o excelente &eacute; isso a que Deus  vos exorta! Ele &eacute; Oniouvinte, Onividente.&rdquo; (Alcor&atilde;o 4:58)

A  justi&ccedil;a isl&acirc;mica em rela&ccedil;&atilde;o aos n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos &eacute; multifacetada.&nbsp; O Isl&atilde;  lhes concede o direito de comparecer perante seus pr&oacute;prios tribunais;  tamb&eacute;m lhes garante igualdade na busca de justi&ccedil;a com os mu&ccedil;ulmanos, se  optarem por apresentar seu caso em um tribunal isl&acirc;mico.&nbsp; Deus diz:

&ldquo;Se  se apresentarem a ti (&Oacute; Muhammad), julga-os ou aparta-te deles, porque  se te separares deles em nada poder&atilde;o prejudicar-te; por&eacute;m, se os  julgares, faze-o equitativamente, porque Deus aprecia os justiceiros.&rdquo;  (Alcor&atilde;o 5:42)

Se um mu&ccedil;ulmano roubasse de  um n&atilde;o-mu&ccedil;ulmano dhimmi, estava sujeito &agrave; mesma puni&ccedil;&atilde;o a que o dhimmi  estaria se tivesse roubado do mu&ccedil;ulmano. &nbsp;Da mesma forma, um mu&ccedil;ulmano  est&aacute; sujeito a receber uma senten&ccedil;a por difama&ccedil;&atilde;o se caluniar um homem  ou mulher protegido sob a alian&ccedil;a.[1]

A  hist&oacute;ria isl&acirc;mica tem alguns belos exemplos de justi&ccedil;a dos mu&ccedil;ulmanos  em rela&ccedil;&atilde;o aos n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos. &nbsp;Um homem chamado Ta&rsquo;ima roubou uma  armadura de Qataada, seu vizinho. &nbsp;Qataada tinha escondido a armadura  dentro de um saco de farinha e quando Ta&rsquo;ima o pegou, a farinha saiu do  saco atrav&eacute;s de um buraco, deixando uma trilha at&eacute; sua casa. &nbsp;&nbsp;Ta&rsquo;ima  ent&atilde;o deixou a armadura sob o cuidado de um judeu chamado Zayed, que a  manteve em sua cada, para ocultar o crime.&nbsp; Assim, quando as pessoas  procuravam pela armadura roubada, seguiram a trilha de farinha at&eacute; a  casa de Ta&rsquo;ima, mas n&atilde;o a encontraram l&aacute;. &nbsp;Quando confrontado ele lhes  jurou que n&atilde;o a tinha pegado e que n&atilde;o sabia nada a respeito. &nbsp;As  pessoas que ajudavam ao dono tamb&eacute;m juraram tinham visto quando ele  entrou na casa de Qataada &agrave; noite, e que tinham subsequentemente seguido  a trilha de farinha que as levou at&eacute; sua casa. &nbsp;Entretanto, ap&oacute;s ouvir o  juramento de Ta&rsquo;ima de que era inocente, o deixaram sozinho e  procuraram por outras pistas, achando finalmente uma trilha fina de  farinha que levava &agrave; casa de Zayed, e o prenderam.

O  judeu contou que Ta&rsquo;ima tinha deixado a armadura com ele e alguns  judeus confirmaram sua declara&ccedil;&atilde;o. &nbsp;A tribo a qual Ta&rsquo;ima pertencia  enviou alguns de seus homens ao mensageiro de Deus para apresentar o  lado dele da hist&oacute;ria e defend&ecirc;-lo. &nbsp;Disseram &agrave; delega&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Se n&atilde;o  defenderem o membro de nossa tribo, Ta&rsquo;ima, ele perder&aacute; sua reputa&ccedil;&atilde;o e  ser&aacute; punido severamente e o judeu ficar&aacute; livre.&rdquo; O profeta estava  inclinado a acreditar neles e estava prestes a punir o judeu quando Deus  revelou os seguintes vers&iacute;culos do Alcor&atilde;o para vindicar o judeu.[2] O vers&iacute;culo continua a ser recitado pelos mu&ccedil;ulmanos hoje como lembran&ccedil;a de que a justi&ccedil;a deve ser para todos:

&ldquo;Realmente, revelamos-te o Livro, a fim de que julgues entre os humanos, segundo o que Deus te ensinou. N&atilde;o sejas defensor dos p&eacute;rfidos. E busque o perd&atilde;o de Deus. De fato, Ele &eacute; Indulgente, Misericordios&iacute;ssimo. N&atilde;o advogues por aqueles que enganaram a si mesmos. De fato, Deus n&atilde;o aprecia o p&eacute;rfido, pecador. Eles  se ocultam das pessoas, n&atilde;o podendo, contudo, ocultar-se de Deus,  porque Deus est&aacute; pressente, com eles, quando, &agrave; noite, discorrem sobre o  que Ele desagrada. Deus est&aacute; inteirado de tudo quanto fazem. Eis  que v&oacute;s, na vida terrena, advogastes por eles. Quem advogar&aacute; por eles,  ante Deus, no Dia da Ressurrei&ccedil;&atilde;o ou quem ser&aacute; seu defensor?&rdquo; (Alcor&atilde;o 4:105-109)

 

 Footnotes: 

[1] Masud, Fahd Muhammad Ali, &lsquo;Huquq Ghayr is-Muslimeen fid-Dawla al-Islamiyya,&rsquo; p. 138-139, 144-149.
&nbsp;&nbsp; Aayed, Saleh Hussain, &lsquo;Huquq Ghayr al-Muslimeen fi Bilad il-Islam,&rsquo; p. 32-33.
&nbsp;&nbsp; Zaydan, Dr. Abd al-Karim, &lsquo;Ahkam al-Dhimmiyin wal-Mustami&rsquo;nin,&rsquo; p. 254.


[2] Wahidi, &lsquo;Al-Asbab an-Nuzool,&rsquo; p. 210-211

