Deus criou os seres  humanos com certa dignidade, mu&ccedil;ulmanos e n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos, e elevou suas  condi&ccedil;&otilde;es sobre muito de Sua cria&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Deus diz no Alcor&atilde;o: 

&ldquo;Enobrecemos  os filhos de Ad&atilde;o e os conduzimos pela terra e pelo mar; agraciamo-los  com todo o bem, e preferimos enormemente sobre a maior parte de tudo  quanto criamos.&rdquo; (Alcor&atilde;o 17:70)

Como  um sinal de honra e para elevar seu status, Deus ordenou aos anjos que  se prostrassem em humildade perante Ad&atilde;o, o pai da humanidade.&nbsp; Deus nos  informa no Alcor&atilde;o:

&ldquo;E quando dissemos aos anjos: Prostrai-vos ante Ad&atilde;o! Todos se prostraram menos L&uacute;cifer, que se negou.&rdquo; (Alcor&atilde;o 20:116)

Deus  concedeu muitos favores &agrave; humanidade, alguns dos quais s&atilde;o &oacute;bvios,  enquanto que outros est&atilde;o ocultos.&nbsp; Por exemplo, Ele sujeitou os c&eacute;us e a  terra aos seres humanos para honr&aacute;-los.&nbsp; Ele diz:

&ldquo;Deus  foi Quem criou os c&eacute;us e a terra e &eacute; Quem envia a &aacute;gua do c&eacute;u, com a  qual produz os frutos para o vosso sustento! Submeteu, para v&oacute;s, os  navios que, com a Sua anu&ecirc;ncia, singram os mares, e submeteu, para v&oacute;s,  os rios. Submeteu, para v&oacute;s, o sol e a luz, que seguem os seus cursos;  submeteu para v&oacute;s, a noite e o dia. E vos agraciou com tudo quanto Lhe  pedistes. E se contardes as merc&ecirc;s de Deus, n&atilde;o podereis enumer&aacute;-las.  Sabei que o homem &eacute; in&iacute;quo e ingrato por excel&ecirc;ncia.&rdquo; (Alcor&atilde;o 14:32-34)

O  status da humanidade concedido por Deus forma a base do princ&iacute;pio de  dignidade humana no Isl&atilde;, seja a pessoa mu&ccedil;ulmana ou n&atilde;o.&nbsp; O Isl&atilde;  enfatiza a origem comum da humanidade. Portanto, todos os seres humanos t&ecirc;m certos direitos m&uacute;tuos.&nbsp; Deus diz:

&ldquo;&Oacute; humanos! Em  verdade, N&oacute;s vos criamos de macho e f&ecirc;mea e vos dividimos em povos e  tribos, para reconhecerdes uns aos outros. Sabei que o mais honrado,  dentre v&oacute;s, ante Deus, &eacute; o mais temente. Sabei que Deus &eacute; Sapient&iacute;ssimo e  est&aacute; bem inteirado.&rdquo; (Alcor&atilde;o 49:13)
O mensageiro de Deus declarou em seu serm&atilde;o de despedida, dirigindo-se &agrave; maior multid&atilde;o na hist&oacute;ria &aacute;rabe at&eacute; aquele ponto:

&ldquo;Povo,  ou&ccedil;am que seu Senhor &eacute; &Uacute;nico e que seu pai &eacute; um. Devem saber que nenhum  &aacute;rabe tem superioridade sobre um n&atilde;o-&aacute;rabe, nem um n&atilde;o-&aacute;rabe tem  superioridade sobre um &aacute;rabe, ou um homem vermelho sobre um homem negro,  ou um homem negro sobre um homem vermelho, exceto em termos do que cada  pessoa tem de devo&ccedil;&atilde;o. Transmiti a mensagem?&rdquo; [1]

Como  exemplo da preserva&ccedil;&atilde;o da dignidade humana dos n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos &eacute; um  direito que seus sentimentos sejam respeitados, por exemplo, de que  sejam tratados com boas maneiras em discurso e debate, em obedi&ecirc;ncia ao  comando divino:

&ldquo;E  n&atilde;o disputeis com os adeptos do Livro, sen&atilde;o da melhor forma, exceto  com os in&iacute;quos, dentre eles. Dizei-lhes: Cremos no que nos foi revelado,  assim como no que vos foi revelado antes; nosso Deus e o vosso s&atilde;o Um e  a Ele nos submetemos.&rdquo; (Alcor&atilde;o 29:46)
Os  n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos t&ecirc;m o direito de que suas cren&ccedil;as religiosas n&atilde;o sejam  ridicularizadas.&nbsp; N&atilde;o &eacute; um exagero afirmar que nenhuma outra religi&atilde;o ou  seita no mundo &eacute; t&atilde;o justa quanto o Isl&atilde; com as pessoas de outras  cren&ccedil;as.&nbsp; Vejamos, por exemplo, um vers&iacute;culo do Alcor&atilde;o:

&ldquo;Dize-lhes:  Quem vos agracia, seja do c&eacute;u, seja da terra? Dize: Deus! Portanto,  certamente, ou n&oacute;s estamos guiados ou v&oacute;s estais orientados, ou em erro  evidente.&rdquo; (Alcor&atilde;o 34:25)

O  vers&iacute;culo termina com o que os linguistas &aacute;rabes chamam de pergunta  ret&oacute;rica, cuja resposta &eacute; de conhecimento geral da audi&ecirc;ncia  pretendida.&nbsp; O vers&iacute;culo mistura certeza com d&uacute;vida: os mu&ccedil;ulmanos  seguem orienta&ccedil;&atilde;o e o erro dos descrentes &eacute; apresentado como algo  duvidoso.&nbsp; Ao faz&ecirc;-lo Deus enfatiza a verdade ao permitir ao leitor  tirar sua pr&oacute;pria conclus&atilde;o.&nbsp; Deus n&atilde;o afirma nesse vers&iacute;culo quem est&aacute;  seguindo orienta&ccedil;&atilde;o e quem n&atilde;o est&aacute;.&nbsp; O vers&iacute;culo trata o &ldquo;oponente&rdquo;  fict&iacute;cio com justi&ccedil;a pela apresenta&ccedil;&atilde;o do argumento e permiss&atilde;o ao  ouvinte de julgar. &nbsp;Az-Zamakhshiri, um linguista cl&aacute;ssico e exegeta do  Alcor&atilde;o elabora sobre esse ponto:

&ldquo;&Eacute;  um discurso equitativo: quem quer que o ou&ccedil;a, apoiador ou oponente,  dir&aacute; a pessoa a quem o discurso &eacute; direcionado que quem falou o tratou de  forma justa.&nbsp; Leva o ouvinte &agrave; inevit&aacute;vel conclus&atilde;o, ap&oacute;s o argumento  ter sido apresentado, de que n&atilde;o existe d&uacute;vida sobre quem est&aacute; seguindo  orienta&ccedil;&atilde;o e quem est&aacute; em erro.&nbsp; A sugest&atilde;o dos fatos, como se a  pergunta fosse uma charada, fornece uma prova mais convincente da  verdade, com o oponente sendo gentilmente desarmado, sem recorrer &agrave;  discuss&atilde;o acalorada.&rdquo;[2]

Um  exemplo do estilo empregado pelo Alcor&atilde;o seria algu&eacute;m dizer em um  debate: &ldquo;Deus sabe quem est&aacute; dizendo a verdade e quem &eacute; um mentiroso.&rdquo;[3]

Deus  tamb&eacute;m proibiu os mu&ccedil;ulmanos de falarem mal dos deuses e divindades  adorados por n&atilde;o-mu&ccedil;ulmanos, para que eles n&atilde;o falem mal do &Uacute;nico e  Verdadeiro Deus.&nbsp; Ser&aacute; dif&iacute;cil encontrar um exemplo semelhante em  qualquer escritura das principais religi&otilde;es mundiais.&nbsp; Se os polite&iacute;stas  ouvissem mu&ccedil;ulmanos falarem mal de seus deuses, isso os levaria a falar  mal de Allah (o nome pessoal e pr&oacute;prio de Deus).&nbsp; E tamb&eacute;m, se os  mu&ccedil;ulmanos falassem mal de deuses pag&atilde;os, poderiam instigar os  polite&iacute;stas a aliviar seus sentimentos feridos ferindo os sentimentos  dos mu&ccedil;ulmanos.&nbsp; Esse cen&aacute;rio &eacute; contra a dignidade humana de ambos os  lados e levaria &agrave; rejei&ccedil;&atilde;o e &oacute;dio m&uacute;tuos.&nbsp; Deus diz no Alcor&atilde;o:

&ldquo;N&atilde;o  injurieis os que invocam, em vez de Deus, a menos que eles, em sua  ignor&acirc;ncia, injuriem iniquamente Deus. Assim, abrilhantamos as a&ccedil;&otilde;es de  cada povo; logo, seu retorno ser&aacute; a seu Senhor, que os inteirar&aacute; de tudo  quando tiverem feito.&rdquo; (Alcor&atilde;o 6:108)
 

 Footnotes: 

[1] Musnad Ahmad


[2] Zamakhshiri, &lsquo;Kashhaf,&rsquo; vol. 12, p. 226


[3] Aayed, Saleh Hussain, &lsquo;Huquq Ghayr al-Muslimeen fi Bilad il-Islam,&rsquo; p. 17

