A Declara&ccedil;&atilde;o Universal  dos Direitos Humanos lida com v&aacute;rias quest&otilde;es.&nbsp; Tenta assegurar que a  humanidade trate a todos com respeito e dignidade.&nbsp; O Isl&atilde; &eacute; uma  religi&atilde;o que valoriza muito o respeito, a dignidade e a toler&acirc;ncia e os  direitos e responsabilidades inerentes no Isl&atilde; s&atilde;o uma declara&ccedil;&atilde;o de  direitos humanos. 
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Um  dos princ&iacute;pios mais importantes no Isl&atilde; &eacute; que Deus criou a humanidade  para ser plenamente respons&aacute;vel por suas a&ccedil;&otilde;es.&nbsp; Cada ser humano tem  certos direitos e responsabilidades e nenhum ser humano tem o direito de  restringir a liberdade de outro.&nbsp; Quem ousar remover os direitos  inerentes no Isl&atilde; concedidos por Deus, incluindo o direito &agrave; dignidade  humana, &eacute; chamado de malfeitor ou opressor.&nbsp; Deus conclama aqueles que O  obedecem a defenderem os direitos dos oprimidos.
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&ldquo;E  o que vos impede de combater pela causa de Deus e dos indefesos,  homens, mulheres e crian&ccedil;as? Que dizem: &Oacute; Senhor nosso, tira-nos desta  cidade (Meca), cujos habitantes s&atilde;o opressores. Designa-nos, de Tua  parte, um protetor e um socorredor!&rdquo; (Alcor&atilde;o 4:75)
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O artigo quatro da Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos afirma que ningu&eacute;m ser&aacute; mantido em escravatura ou servid&atilde;o; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, s&atilde;o proibidos.&nbsp; Mais de 1.400 anos atr&aacute;s o Isl&atilde; tamb&eacute;m lidou com a quest&atilde;o da escravid&atilde;o.
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No  s&eacute;culo 7 EC, a escravid&atilde;o estava enraizada na sociedade &aacute;rabe, assim  como em outras sociedades e sistemas legais.&nbsp; Os escravos eram  adquiridos facilmente atrav&eacute;s de guerra, d&eacute;bito, sequestro e pobreza;  assim, proibir a escravid&atilde;o de imediato teria sido t&atilde;o in&uacute;til quanto  tentar proibir a pobreza.&nbsp; Consequentemente, o Isl&atilde; colocou restri&ccedil;&otilde;es e  regulamenta&ccedil;&otilde;es sobre a escravid&atilde;o designadas para aboli-la no final.
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N&atilde;o  existem textos no Alcor&atilde;o ou nas tradi&ccedil;&otilde;es do profeta Muhammad, que a  miseric&oacute;rdia e b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de Deus estejam sobre ele, que prescrevam a  escravid&atilde;o, mas existem textos incont&aacute;veis conclamando &agrave; sua liberdade,  incluindo as palavras simples mas profundas de Muhammad: &ldquo;Visitem os doentes, alimentem os famintos e libertem os escravos.&rdquo; [1] A  lei isl&acirc;mica reconheceu a escravid&atilde;o como uma institui&ccedil;&atilde;o, mas  restringiu as fontes de aquisi&ccedil;&atilde;o a somente um m&eacute;todo: prisioneiros de  guerra capturados e suas fam&iacute;lias.&nbsp; Os l&iacute;deres mu&ccedil;ulmanos eram  encorajados a libertar prisioneiros de guerra ou troc&aacute;-los por resgate.&nbsp;
O  princ&iacute;pio de lidar com escravos no in&iacute;cio do Isl&atilde; foi uma combina&ccedil;&atilde;o de  justi&ccedil;a, gentileza e compaix&atilde;o.&nbsp; Os mu&ccedil;ulmanos pagam uma pequena por&ccedil;&atilde;o  de seus rendimentos anuais acumulados em caridade compuls&oacute;ria e uma das  formas l&iacute;citas na qual esse dinheiro pode ser usado &eacute; para libertar  escravos.&nbsp; Libertar escravos tamb&eacute;m &eacute; a expia&ccedil;&atilde;o para muitos pecados,  incluindo a quebra de promessas e mortes acidentais. &nbsp;
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Nos  &uacute;ltimos 200 anos a cultura ocidental lentamente aboliu a escravid&atilde;o,  mas o com&eacute;rcio de seres humanos n&atilde;o diminuiu.&nbsp; A National Geographic  estima que no mundo todo exista atualmente 27 milh&otilde;es de homens,  mulheres e crian&ccedil;as escravizados.&nbsp; Embora as declara&ccedil;&otilde;es e tratados  feitos pelo homem tenham denunciado a escravid&atilde;o, ironicamente, no  mercado aberto, um escravo vale menos hoje do que h&aacute; 200 anos.
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Os  &ldquo;escravos&rdquo; dos dias modernos s&atilde;o fisicamente confinados ou controlados,  for&ccedil;ados a trabalhar ou ainda controlados atrav&eacute;s de viol&ecirc;ncia. N&atilde;o t&ecirc;m  meios legais para comprar sua pr&oacute;pria liberdade e nem existe qualquer  &oacute;rg&atilde;o legal para supervisionar seu tratamento.&nbsp; A escravid&atilde;o existe sob o  radar e est&aacute; geralmente associada com drogas, prostitui&ccedil;&atilde;o e outras  atividades ilegais.&nbsp;
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As  restri&ccedil;&otilde;es impostas pelo Isl&atilde; deram aos escravos direitos e prote&ccedil;&atilde;o em  rela&ccedil;&atilde;o aos maus tratos. O ato de libertar um escravo &eacute; muito virtuoso  que aben&ccedil;oar&aacute; uma pessoa nessa vida e na pr&oacute;xima. O Isl&atilde; tem a  habilidade inerente de reconhecer e regular as caracter&iacute;sticas  indesej&aacute;veis da natureza humana. &nbsp;
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A  escravid&atilde;o e a servid&atilde;o n&atilde;o ser&atilde;o abolidas de maneira bem-sucedida at&eacute;  que a humanidade reconhe&ccedil;a que as leis de Deus s&atilde;o a verdadeira  personifica&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos.&nbsp; O mesmo pode ser dito de tortura e  de puni&ccedil;&otilde;es desumanas e cru&eacute;is. &nbsp;Essas a&ccedil;&otilde;es detest&aacute;veis n&atilde;o parar&atilde;o  at&eacute; que a humanidade como um todo perceba que existe um Deus e que  ador&aacute;-Lo vai al&eacute;m de cobi&ccedil;ar a vida desse mundo.&nbsp; A tortura existe hoje  apesar de tratados e declara&ccedil;&otilde;es, incluindo o artigo cinco da Declara&ccedil;&atilde;o  Universal dos Direitos Humanos, conclamarem o abandono desse mau  tratamento.
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Crueldade,  incluindo puni&ccedil;&atilde;o excessiva, &eacute; proibida no Isl&atilde;.&nbsp; Cada membro da ra&ccedil;a  humana &eacute; tratado com o devido respeito e dignidade, independente de  ra&ccedil;a, cor, credo ou nacionalidade.&nbsp; O profeta Muhammad proibiu  expressamente as puni&ccedil;&otilde;es cru&eacute;is e n&atilde;o usuais, mesmo em tempos de  guerra.&nbsp; Deixou claro que ningu&eacute;m deveria ser queimado vivo ou torturado  com fogo, que os soldados feridos n&atilde;o deviam ser atacados e  prisioneiros de guerra n&atilde;o deviam ser mortos.&nbsp; Disse a seus seguidores &ldquo;n&atilde;o tenham cora&ccedil;&atilde;o duro nem car&aacute;ter violento&rdquo; &nbsp;[2] e alertou seu povo sobre serem injustos &ldquo;porque a injusti&ccedil;a ser&aacute; escurid&atilde;o no Dia da Presta&ccedil;&atilde;o de Contas.&rdquo; [3]
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At&eacute;  prisioneiros de guerra no in&iacute;cio da hist&oacute;ria isl&acirc;mica falavam bem de  seus captores. &nbsp;&nbsp;&ldquo;Aben&ccedil;oados sejam os homens de Medina&rdquo;, disse um desses  prisioneiros, &ldquo;nos fizeram cavalgar enquanto eles mesmos caminhavam;  deram-nos p&atilde;o de trigo para comer apesar de haver pouco, contentando-se  com t&acirc;maras.&rdquo; [4] O segundo califa do Isl&atilde;, Omar Ibn Al Khattab, disse: &ldquo;Uma pessoa n&atilde;o &eacute; respons&aacute;vel por sua confiss&atilde;o, se lhe infligiu dor, assustou ou aprisionou [para obter a confiss&atilde;o]&rdquo;.[5]
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A  Declara&ccedil;&atilde;o de Direitos Humanos no Isl&atilde; do Cairo afirma no artigo 20  que: &ldquo;Ningu&eacute;m ser&aacute; preso ou ter&aacute; sua liberdade restringida, ser&aacute; exilado  ou punido sem a devida a&ccedil;&atilde;o legal. Os indiv&iacute;duos n&atilde;o devem ser  submetidos a tormento f&iacute;sico ou psicol&oacute;gico ou qualquer tratamento  humilhante.&rdquo;
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A  execu&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos no Isl&atilde; est&aacute; inextricavelmente vinculada &agrave;  implementa&ccedil;&atilde;o da lei isl&acirc;mica.&nbsp; O Isl&atilde; promete que aqueles que seguem  as regras e regulamenta&ccedil;&otilde;es de Deus ser&atilde;o recompensados com Sua garantia  de para&iacute;so eterno.&nbsp; Entretanto, escolher restringir ou tirar direitos  concedidos &agrave; humanidade por Deus &eacute; um delito sujeito &agrave; puni&ccedil;&atilde;o.&nbsp; &ldquo;No Dia da Presta&ccedil;&atilde;o de Contas, ser&atilde;o concedidos os direitos &agrave;queles a quem eram devidos (e as injusti&ccedil;as ser&atilde;o corrigidas)...&rdquo; [6]
 

 Footnotes: 

[1] Saheeh Al-Bukhari


[2] Saheeh Al-Bukhari


[3] Ibid.


[4] Das palavras do escritor orientalista Sir William Muir (1819-1905)


[5] Relatado por Abu Yusuf no livro Al Kharaj


[6] Saheeh Muslim

