Her&aacute;clito Recebe Not&iacute;cias de Muhammad
Ibn al-Natur  era o governador de Jerusal&eacute;m para Her&aacute;clito, que era o chefe dos  crist&atilde;os da Grande S&iacute;ria.&nbsp; Ibn al-Natur narra que, uma vez, enquanto  estava em Jerusal&eacute;m: 
Her&aacute;clito levantou de mau humor e alguns dos sacerdotes lhe perguntaram por que.
Por praticar astrologia, Her&aacute;clito tinha tentado mapear o futuro.
Em  resposta a essa pergunta, ele disse: &ldquo;Noite passada estava procurando  nas estrelas e vi que um l&iacute;der daqueles que praticam circuncis&atilde;o tinha  surgido (e conquistaria todos &agrave; sua frente). Quem s&atilde;o os que praticam  circuncis&atilde;o?&rdquo;
Os  sacerdotes responderam: &ldquo;Exceto os judeus ningu&eacute;m pratica circuncis&atilde;o e  n&atilde;o precisa tem&ecirc;-los; apenas emita ordens para matar todo judeu  presente no pa&iacute;s.&rdquo;
Enquanto discutiam sobre isso, chegou um mensageiro enviado pelo rei de Ghassan[1] para transmitir not&iacute;cias do mensageiro de Deus a Her&aacute;clito.
(Essas not&iacute;cias podem ser a carta do profeta).
Ao  ouvir as not&iacute;cias, Her&aacute;clito ordenou ao sacerdote que verificasse se o  mensageiro de Ghassan era circuncisado.&nbsp; Depois de ser fisicamente  examinado, relataram que o homem era circuncisado.&nbsp; Her&aacute;clito ent&atilde;o  perguntou ao mensageiro sobre o costume dos &aacute;rabes.&nbsp; O mensageiro  respondeu: &ldquo;Os &aacute;rabes tamb&eacute;m praticam circuncis&atilde;o.&rdquo;
Quando ouviu isso, Her&aacute;clito disse: &ldquo;O reino dos &aacute;rabes come&ccedil;ou e seu reinado est&aacute; prestes a se manifestar.&rdquo; [2]
A  hist&oacute;ria a seguir &eacute; tirada das narrativas dos companheiros do profeta.&nbsp;  A hist&oacute;ria foi contada por Abu Sufyan a Abdullah Ibn Abbas, que a  relatou aos outros.[3] Ibn Abbas era um aluno muito devotado a Muhammad, que a miseric&oacute;rdia e  b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os de Deus estejam sobre ele, e um s&aacute;bio muito respeitado do  Alcor&atilde;o.
O Encontro de Abu Sufyan com Her&aacute;clito
Em  629 EC, tr&ecirc;s anos antes da morte do mensageiro de Deus, Her&aacute;clito  reconquistou Jerusal&eacute;m de forma triunfante carregando o que se dizia ser  a cruz original venerada pelos crist&atilde;os e que Khosrau II tinha pegado  como botim 15 anos antes.[4] Enquanto residiu l&aacute; a carta que Muhammad tinha enviado, talvez um ano  antes, chegou &agrave;s suas m&atilde;os.&nbsp; Quando a leu, perguntou se havia algu&eacute;m do  povo do autor no territ&oacute;rio que controlava e lhe contaram sobre a  caravana de neg&oacute;cios de Abu Sufyan, de Meca, que fazia neg&oacute;cios nas  proximidades.&nbsp; Ele, com seus companheiros, foram convocados para a corte  do imperador em Jerusal&eacute;m, se apresentando a Her&aacute;clito que tinha os  nobres bizantinos ao redor dele.
As Perguntas Apresentadas por Her&aacute;clito e Suas Respostas
Her&aacute;clito  chamou seu int&eacute;rprete para que os questionasse, ordenando-o que  perguntasse quem entre eles era o mais pr&oacute;ximo, em termos de parentesco,  do homem que reivindicava ser um profeta.
Abu Sufyan respondeu: &ldquo;Sou o parente mais pr&oacute;ximo dele (nesse grupo).&rdquo;
Her&aacute;clito perguntou: &ldquo;E qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre voc&ecirc;s?&rdquo;
Abu Sufyan disse: &ldquo;Ele &eacute; meu primo (distante) por parte do meu pai.&rdquo; [5]
Her&aacute;clito  disse: &ldquo;Aproximem-no!&rdquo; e os companheiros de Abu Sufyan ficaram atr&aacute;s  dele, em seus ombros.&nbsp; Ent&atilde;o ordenou a seu int&eacute;rprete: &ldquo;Diga a seus  companheiros que vou question&aacute;-lo sobre o homem que alega ser um profeta  e se ele disser uma mentira, que a repudiem imediatamente como uma  mentira.&rdquo;
&ldquo;Como &eacute; a linhagem desse homem entre voc&ecirc;s?&rdquo; continuou o imperador romano.
&ldquo;De descend&ecirc;ncia nobre.&rdquo; Respondeu Abu Sufyan.
Her&aacute;clito perguntou ainda: &ldquo;Algum de voc&ecirc;s alguma vez j&aacute; reivindicou o mesmo que ele?&rdquo; &ldquo;Ele era inclinado &agrave; mentira antes de reivindicar o que reivindicou?&rdquo; &ldquo;Algu&eacute;m entre seus ancestrais foi um rei?&rdquo; 
A cada pergunta Abu Sufyan s&oacute; podia responder &ldquo;N&atilde;o&rdquo;.
&ldquo;Os nobres de nascimento ou os humildes entre seu povo o ouvem?&rdquo; 
Abu Sufyan respondeu: &ldquo;Os desprovidos, ao inv&eacute;s dos nobres de nascimento, o seguem.&rdquo;
Ele disse: &ldquo;Est&atilde;o aumentando ou diminuindo em n&uacute;mero?&rdquo;
&ldquo;Aumentando&rdquo;, foi a resposta.
Ele  ent&atilde;o perguntou: &ldquo;Algu&eacute;m entre os que abra&ccedil;aram sua religi&atilde;o se  afastaram descontentes ou renunciaram a ela depois de um tempo.&rdquo;
&ldquo;N&atilde;o&rdquo;.
Her&aacute;clito disse: &ldquo;Ele quebra suas alian&ccedil;as?&rdquo;
O l&iacute;der da caravana respondeu: &ldquo;N&atilde;o. Temos um tratado com ele agora, mas tememos que possa nos trair.&rdquo;
O questionamento continuou de forma incans&aacute;vel: &ldquo;J&aacute; se combateram?&rdquo;
&ldquo;Sim.&rdquo;
&ldquo;Qual foi o resultado das batalhas?&rdquo;
&ldquo;Umas vezes ele ganha as batalhas, &agrave;s vezes n&oacute;s ganhamos.&rdquo;
&ldquo;O que ele os ordena fazer (quando prega)?
&ldquo;Diz-nos  para adorar somente a Deus e n&atilde;o adorar nada junto com Ele e para  renunciar a todos os &iacute;dolos que nossos ancestrais nos ensinaram a  adorar. Ordena-nos a orar, dar caridade, sermos castos, cumprirmos as  promessas e desempenharmos nossos compromissos assumidos com amigos e  parentes.&rdquo;
Abu  Sufyan admitiu posteriormente que teria mentido sobre o profeta, se n&atilde;o  temesse a vergonha de ver seus colegas (que o ouviam) espalharem  relatos de que era um mentiroso.&nbsp; Ent&atilde;o respondeu o mais fielmente que  pode.&nbsp; Tamb&eacute;m mencionou a parte que temia uma trai&ccedil;&atilde;o de Muhammad e  daqueles que liderava porque apresentava a melhor oportunidade de deixar  escapar um coment&aacute;rio negativo sobre ele.
O Imperador Avalia o Interrogat&oacute;rio
Depois  de ter terminado de interrogar Abu Sufyan sobre o profeta, Her&aacute;clito  decidiu dizer-lhe o que tinha aprendido da entrevista.&nbsp; Seu int&eacute;rprete  transmitiu sua an&aacute;lise.
Disse:  &ldquo;Perguntei sobre sua linhagem entre voc&ecirc;s e afirmaram que era de  linhagem s&oacute;lida. De fato, todos os mensageiros de Deus v&ecirc;m de linhagens  s&oacute;lidas entre seus respectivos povos.
&ldquo;Ent&atilde;o  perguntei se algu&eacute;m havia reivindicado o que ele reivindica entre os de  sua tribo e sua resposta foi negativa. Se tivesse dito que outros  tinham feito essa reivindica&ccedil;&atilde;o, teria suposto que ele estava seguindo o  que tinha sido dito antes dele.
&ldquo;Perguntei  ainda se ele era um mentiroso antes de dizer o que disse e voc&ecirc;s  disseram que n&atilde;o. Sei que uma pessoa que n&atilde;o mente sobre outros homens  nunca mentiria sobre Deus.
&ldquo;E  perguntei se algum dos ancestrais dele tinha sido um rei. Se sua  resposta fosse afirmativa, teria pensado que o homem buscava restaurar o  reino de seu ancestral.
&ldquo;Ent&atilde;o  perguntou se o nobre de nascimento ou o humilde o seguiam e me disseram  que seus seguidores eram principalmente pessoas humildes. De fato, eles  invariavelmente s&atilde;o os seguidores de mensageiros.
&ldquo;Ent&atilde;o  perguntei se seus seguidores estavam aumentando ou diminuindo e voc&ecirc;s  me informaram que estavam aumentando. E assim &eacute; com f&eacute; verdadeira at&eacute;  que esteja completa.
&ldquo;Perguntei  ainda se algu&eacute;m que tinha abra&ccedil;ado a religi&atilde;o que ele ensina havia se  afastado descontente e a renunciado depois de um tempo. Sua resposta foi  negativa, que &eacute; o que acontece com a verdadeira f&eacute; quando o encanto  dela se mistura completamente em seus cora&ccedil;&otilde;es.
&ldquo;E  perguntei se tinham lutado entre si, ao que responderam  afirmativamente, acrescentando que as fortunas da guerra &agrave;s vezes  estavam a seu favor e, &agrave;s vezes, a favor dele. Assim &eacute; com todos os  mensageiros, mas a vit&oacute;ria final estar&aacute; com ele.
&ldquo;Perguntei se era trai&ccedil;oeiro, e disseram que n&atilde;o. Assim &eacute; com todos os mensageiros; nunca agem de forma trai&ccedil;oeira.
&ldquo;Ent&atilde;o  perguntei o que ele lhes prescreve na religi&atilde;o que prega. Afirmaram que  ordena que adorem somente Deus e n&atilde;o O associem com coisa alguma e n&atilde;o  adorem os &iacute;dolos de seus ancestrais. E que prescreve a ora&ccedil;&atilde;o e  caridade, castidade, o cumprimento de promessas e desempenho de  compromissos assumidos. E essa &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o do que um profeta faz.&rdquo;
Assim o C&eacute;sar bizantino reconheceu a miss&atilde;o prof&eacute;tica do mensageiro de Deus.
 

 Footnotes: 

[1] Ghassan era um estado vassalo do imp&eacute;rio romano na Grande S&iacute;ria administrado pelo rei &aacute;rabe leal a Biz&acirc;ncio.


[2] Esse aspecto da hist&oacute;ria continuar&aacute; no pr&oacute;ximo artigo.


[3] As hist&oacute;rias nesse artigo est&atilde;o como relatadas Abdullah ibn Abbas em Saheeh Bukhari


[4] Khosrau II, um artigo da Wikip&eacute;dia que incorpora informa&ccedil;&atilde;o de Her&aacute;clito e Khosrau II da Encyclop&aelig;dia Britannica (2006).


[5] &ldquo;o filho de meu bisav&ocirc; por parte de pai.&rdquo; 

